domingo, 12 de dezembro de 2010

CULTURA!!!


Quando nos referimos à palavra cultura, muitos são os significados ou sentidos a ela atribuídos em situações e contextos diferenciados. Vejamos alguns exemplos:

- Formação escolar: Alguém é considerado culto ou inculto dependendo do grau de sua escolaridade;
- Manifestações artísticas: Possui cultura aquele que conhece boa música, teatro, cinema, artes plásticas, etc.;
- Produção agrícola: Quando alguém se dedica ao cultivo de determinado produto, como, por exemplo, a cana-de-açúcar, diz-se que essa pessoa se dedica à cultura da cana-de-açúcar;
- Manifestações populares: A alimentação e o vestuário de um povo, suas crenças, lendas e festas tradicionais formam a chamada cultura popular.
- Influência dos meios de comunicação de massa: Algumas pessoas referem-se à cultura da época em que vivemos como cultura de massa, imposta pela indústria cultural através do rádio, cinema e da televisão.

Nas palavras de Marilena Chauí, em “Convite à Filosofia”, entende-se por cultura como:

“ [...] o exercício da liberdade.A cultura é a criação coletiva de idéias, símbolos e valores pelos quais uma sociedade define para si mesma o bom e o mau, o belo e o feio, o justo e o injusto, o verdadeiro e o falso, o puro e o impuro, o possível e o impossível, o inevitável e o casual, o sagrado e o profano, o espaço e o tempo. A Cultura se realiza porque os humanos são capazes de linguagem, trabalho e relação com o tempo. A Cultura se manifesta como vida social, como criação das obras de pensamento e de arte, como vida religiosa e vida política.”

No livro “Temas de FILOSOFIA”, as autoras Maria Lúcia Aranha e Maria Helena Martins, nos indica que:

“[...] podemos dizer que tudo o que faz parte do mundo humano é cultura e que todos nós somos cultos, pois dominamos a cultura do nosso grupo, seja ele urbano ou rural, indígena ou de outra etnia, de uma ou outra crença religiosa ou qualquer outro tipo. Na verdade não há distinção entre as culturas, uma vez que, como já dissemos, cada uma responde às necessidades e aos desejos simbólicos do grupo.[..]”

Com isso, podemos então afirmar, filosoficamente, que o homem se faz mediado pela cultura uma vez que ela é o resultado de tudo quanto ele produz para construir a sua existência. A cultura, então, manifesta a forma como o homem se relaciona consigo mesmo, com os outros homens e com a natureza, através da forma como elabora as suas leis, constrói suas casas, estabelece costumes e sanções, alimenta-se, educa seus filhos, comporta-se religiosamente, elege representantes políticos, etc.

LEITURA COMPLEMENTAR I


Eu, etiqueta.
Em minha calça está grudado um nome que não é meu de batismo ou de cartório, um nome...estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida jamais pus na boca, nesta vida.
Em minha camiseta, a marca de cigarro que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produto que nunca experimentei, mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido de alguma coisa não provada por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio,meu chaveiro, minha gravata e cinto e escova e pente, meu corpo, minha xícara, minha toalha de banho e sabonete, meu isso, meu aquilo, desde a cabeça ao bico dos sapatos, são mensagens, letras falantes, gritos visuais, ordens de uso, abuso, reincidência, costume, hábito, premência, indispensabilidade, e fazem de mim homem-anúncio itinerante, escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É doce estar na moda, ainda que a moda seja negar minha identidade, com outros seres diversos e conscientes de sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio, ora vulgar ora bizarro, em língua nacional ou em qualquer língua (qualquer, principalmente).
E nisto me comprazo, tiro glória de minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago para anunciar, para vender em bares festas praias pérgulas piscinas, e bem à vista exibo esta etiqueta global no corpo que desiste de ser veste e sandália de uma essência tão viva, independente, que moda ou suborno algum compre.
Onde terei jogado fora meu gosto e capacidade de escolher, minhas idiossincrasias tão pessoais, tão minhas que no rosto se espelhavam, e cada gesto, cada olhar, cada vinco da roupa resumia uma estética?
Hoje sou costurado, sou tecido, sou gravado de forma universal, saio da estamparia, não de casa, da vitrine me tiram, recolocam, objeto pulsante mas objeto que se oferece como signo de outros trocá-la por mil, açambarcando todas as marcas registradas, todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser eu que antes era e me sabia tão diverso de outros, tão mim mesmo, ser pensante, sentiste e solidário.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso de ser eu, mas artigo industrial, peço que meu nome retifiquem. Já não me convém o título de homem, meu nome novo é coisa.
Eu sou a coisa, coisamente.

(ANDRADE, Carlos Drummond de. O corpo. Rio de Janeiro: Record, 1984/ p. 85-87).


 
Diante do texto proposto, como você entende por:
“eu que antes era e me sabia”
“demito-me de ser”
“Eu sou a coisa, coisamente”

CAZUZA - IDEOLOGIA (vídeo)

IDEOLOGIA...




Muito se fala sobre ideologia como sendo um conjunto de idéias que marca ou dá sustentação à vida dos homens. Não é incomum as pessoas questionarem: “Qual é a sua ideologia?”, “Qual é a ideologia daquele jornal ou revista?”, “Eu absorvi as idéias ideológicas de determinado canal televisivo ou elaborei o meu próprio conhecimento?”.

Em sentido amplo, ideologia significa um conjunto de valores, princípios e idéias que orientam uma forma de ação ou uma prática política. Segundo Karl Marx (1818-1883), “a função da ideologia é a de ocultar a verdadeira realidade, ou seja, condições reais de existência dos homens, mostrando, ilusoriamente, as idéias como motor da vida real.”Os homens, portando, são produtores de suas idéias. Entretanto, como a ideologia exerce uma função de ocultamento da realidade, ela mostra um mundo ideal, válido, o qual deve ser preservado por todos. Os problemas e as contradições são justificativas dentro de um sistema de valores vigentes e ainda como exceções da regra geral.


Assim, Marilena Chauí, aponta no seu livro “O que é ideologia?” da seguinte forma: “Um dos traços fundamentais da ideologia consiste, justamente, em tomar as idéias como independentes da realidade histórica e social, de modo a fazer com que tais idéias expliquem aquela realidade que torna compreensíveis as idéias elaboradas” (p.10-11). Neste sentido, o desenvolvimento da consciência crítica possibilita o acesso às verdadeiras condições de vida do homem, desenvolvendo-lhe autonomia e capacidade de criticar a sua própria concepção de mundo, elevando-a ao ponto mais alto do pensamento mais desenvolvido, criticando, inclusive, toda filosofia até hoje produzida.

O QUE É VERDADE?


Ao longo da História, à medida que o homem supre as suas necessidades, ele produz o conhecimento, pois nas suas atividades práticas ele busca respostas para as suas inquietações. O homem comum, no seu cotidiano, tem acesso a um grande universo de informações científicas, filosóficas e políticas, pelos jornais, escola, Internet, museus, livros, etc. Muitos acreditam que estas informações são verdadeiras, pois confiam na palavra dos transmissores. Sendo assim, não comparam todas as informações recebidas e não compreendem que a informação deve ser contextualizada.

Na busca da verdade, os pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento tem apontado variadas formas de enfrentamento e compreensão da realidade, bem como outras formas de interpretação sobre a verdade através de tendências filosóficas diversas, como, por exemplo, o dogmatismo e o ceticismo:

O dogmatismo é a atitude de admitir a possibilidade de verdades absolutamente certas e seguras; não aceita as novidades, pois o novo desequilibra o que está estabelecido, o que é sabido. Na vida cotidiana, também chamamos de dogmatismo a atitude de fazer afirmações sem provas ou evidências. Sócrates ( séc. V a.C.) passava horas discutindo nos locais públicos de Atenas, interpelando as pessoas na tentativa de superar o saber baseado em idéias preconcebidas, pois para ele nenhum conhecimento poderia ser dogmático, por conta disso foi condenado à morte.

Já o ceticismo consiste na atitude filosófica de duvidar da possibilidade da certeza objetiva do conhecimento. Como põe em dúvida as certezas e evidências, o filósofo suspende o juízo para evitar afirmações de caráter dogmático. Na vida cotidiana, também chamamos de ceticismo a atitude de quem não acredita em nada.

Talvez você se pergunte: mas o que é verdade então? Ora, não existe verdade eterna e absoluta; isso tornaria incompreensível o esforço do pensamento que é constante movimento. Não existe também um consenso sobre as possibilidades de chegar à verdade e muito menos sobre que ela seja, pois a verdade consiste em analisar e buscar significados, uma vez que não existe conhecimento absoluto, mas construído processualmente nas relações concretas dos homens.

Filme: MATRIX

Erro técnico...

Maurício de Souza e o Mito da Caverna