domingo, 12 de dezembro de 2010

A origem do mundo: parte 3

3. Encontrando as recompensas ou castigos que os deuses dão a quem os desobedece ou a quem os obedece. Como o mito narra, por exemplo, o uso do fogo pelos homens? Para os homens, o fogo é essencial, pois com ele se diferenciam dos animais, porque tanto passam a cozinhar os alimentos, a iluminar caminhos na noite, a se aquecer no inverno quanto podem fabricar instrumentos de metal para o trabalho e para a guerra.

Um titã, Prometeu, mais amigo dos homens do que dos deuses, roubou uma centelha de fogo e a trouxe de presente para os humanos. Prometeu foi castigado (amarrado num rochedo para que as aves de rapina, eternamente, devorassem seu fígado) e os homens também. Qual foi o castigo dos homens? Os deuses fizeram uma mulher encantadora, Pandora, a quem foi entregue uma caixa que conteria coisas maravilhosas, mas nunca deveria ser aberta. Pandora foi enviada aos humanos e, cheia de curiosidade e querendo dar a eles as maravilhas, abriu a caixa. Dela saíram todas as desgraças, doenças, pestes, guerras e, sobretudo, a morte. Explica-se, assim, a origem dos males no mundo.

A origem do mundo: parte 2

2. Encontrando uma rivalidade ou uma aliança entre os deuses que faz surgir alguma coisa no mundo. Nesse caso, o mito narra ou uma guerra entre as forças divinas, ou uma aliança entre elas para provocar alguma coisa no mundo dos homens.

O poeta Homero, na Ilíada, que narra a guerra de Tróia, explica por que, em certas batalhas, os troianos eram vitoriosos e, em outras, a vitória cabia aos gregos. Os deuses estavam divididos, alguns a favor de um lado e outros a favor do outro. A cada vez, o rei dos deuses, Zeus, ficava com um dos partidos, aliava-se com um grupo e fazia um dos lados - ou os troianos ou os gregos - vencer uma batalha.

A causa da guerra, aliás, foi uma rivalidade entre as deusas. Elas apareceram em sonho para o príncipe troiano Paris, oferecendo a ele seus dons e ele escolheu a deusa do amor, Afrodite. As outras deusas, enciumadas, o fizeram raptar a grega Helena, mulher do general grego Menelau, e isso deu início à guerra entre os humanos.

A origem do mundo: parte 1


Como o mito narra a origem do mundo e de tudo o que nele existe? De três maneiras principais:


1. A narração da origem é, assim, uma genealogia, isto é, narrativa da geração dos seres, das coisas, das qualidades, por outros seres, que são seus pais ou antepassados. Tomemos um exemplo da narrativa mítica. Observando que as pessoas apaixonadas estão sempre cheias de ansiedade e de plenitude, inventam mil expedientes para estar com a pessoa amada ou para seduzi-la e também serem amadas, o mito narra a origem do amor, isto é, o nascimento do deus Eros (que conhecemos mais com o nome de Cupido):

Houve uma grande festa entre os deuses. Todos foram convidados, menos a deusa Penúria, sempre miserável e faminta. Quando a festa acabou, Penúria veio, comeu os restos e dormiu com o deus Poros (o astuto engenhoso). Dessa relação sexual, nasceu Eros (ou Cupido), que, como sua mãe, está sempre faminto, sedento e miserável, mas, como seu pai, tem mil astúcias para se satisfazer e se fazer amado. Por isso, quando Eros fere alguém com sua flecha, esse alguém se apaixona e logo se sente faminto e sedento de amor, inventa astúcias para ser amado e satisfeito, ficando ora maltrapilho e semimorto, ora rico e cheio de vida.

Encontrando o pai e a mãe das coisas e dos seres, isto é,
tudo o que existe decorre de relações sexuais entre forças divinas pessoais. Essas relações geram os demais deuses: os titãs (seres semi-humanos e semidivinos), os heróis (filhos de um deus com uma humana ou de uma deusa com um humano), os humanos, os metais, as plantas, os animais, as qualidades, como quente-frio, seco-úmido, claro-escuro, bom-mau, justo-injusto, belo-feio, certo-errado, etc.

MITOLOGIA x FILOSOFIA

Há muitos anos atrás o homem buscava respostas através dos mitos, narrativas sobre a origem de algo ou alguma coisa, de forma incontestável e inquestionável. Para os gregos, os mitos eram a fonte mais importante do conhecimento e ditadora de regras, sendo baseadas em diversas autoridades - que, de certo modo,presenciaram ativamente da história - impondo então o poder supremo da figura dos “deuses” (sendo eles à imagem e semelhança dos homens), senhores da razão e de poderes divinos para uma constituição mais realista dos mitos.

Diferente desse método, a filosofia busca entender e explicar abertamente sobre como tudo verdadeiramente, ou melhor, racionalmente, surgiu. Apresenta o estudo científico da Natureza e do psicológico humano, seja de forma individual ou social. A filosofia não considera nenhum fato que não haja provas concretas,por assim dizer, uma definição coerente e racional.

Então, dizemos que as pessoas sempre sentiram a necessidade de explicar àquilo que os rodeia, desde a sua origem até a sua utilidade (ou não). Visto que não conseguimos ficar diante de algo sem obter uma devida explicação, e é neste sentido que surgiu os mitos, já que naquela época não existia a ciência. A partir daí, a filosofia surge como um estudo baseado na razão da natureza para explicá-la.

 
Achamos conveniente manter a estrutura de um trecho retirado do livro “Convite à Filosofia”, de Marilena Chauí, pois acreditamos que para aqueles que não tenham acesso ao livro adote-o como dicionário filosófico, dentre outros da mesma autora. Daremos continuidade aos conteúdos sempre citando-o. Esperamos que apreciem, assim como nós! :D

OBS: Para uma abordagem mais harmônica,o trecho será dividido em três partes:

UM BREVE CONTEXTO


HISTÓRICO DA ORIGEM DA FILOSOFIA
 
Seguindo os ensinamentos da filosofia, para compreender o mundo necessitamos usar a razão e o conhecimento científico. Mas, quando surgiu os primeiros ensinamentos filosóficos na Grécia? O que levou, de fato, a dar início a esse estudo? Para facilitar a continuidade do nosso estudo temos algumas das essenciais passagens históricas para a fundação da filosofia, surgida no final do século VII e no início do século VI a.C., na Grécia:

>>> Viagens marítimas: a partir da determinação de alguns viajantes, notaram que não haviam monstros marítimos ou qualquer interferência dos deuses, apenas forças da natureza que poderiam ser explicados. Chega ao fim o processo de crença nos mitos como única fonte da verdade.

>>> Invenção do calendário, da moeda e da escrita alfabética: essa nova etapa da história aponta que quanto a ciência ou a capacidade humana pode levar à evolução natural e social do homem.

>>> O surgimento da vida urbana: apropriando-se do comércio e artesanato, o sistema de trocas e o início da democracia social ( interferência do processo de aristocracia) cederam espaço para os novos sujeitos à senhores de riquezas: os comerciantes. Dava-se espaço, então, para a apropriação e estímulo aos setores artísticos, ambiente na qual surge a filosofia.

>>> Invenção da política: aparece-nos então, a polis, isto é, cidade política, momento de exposição dos idéias de cada um em prol da maioria. Surge como um novo caminho para os ideais da coletividade humana, onde a própria política estimaria os pensamentos e discursos para o bem de todos. A abertura do espaço para a população traria idéia para serem discutidas, ensinados e transmitidos à todos.

SER OU NÃO SER, EIS A QUESTÃO...



No trecho abaixo retirado de uma obras primas de William Shakespeare, Hamlet, temos a nítida idéia do qual o personagem passa por profundos devaneios filosóficos, devido aos infindos problemas familiares e sociais. A razão mistura-se com a emoção, deixando-o constantemente atordoado.

“Hamlet: Ser ou não ser - eis a questão.
Será mais nobre sofrer na alma
Pedradas e flechadas do destino feroz
Ou pegar em armas contra o mar de angustias -
E, combatendo-o, dar-lhe fim? Morrer; dormir;
Só isso. E com sono - dizem - extinguir
Dores do coração e as mil mazelas naturais
A que a carne é sujeita; eis uma consumação
Ardentemente desejável. Morrer - dormir -
Dormir! Talvez sonhar. Aí está o obstáculo!
Os sonhos que hão de vir no sono da morte
Quando tivermos escapado ao tumulo vital
Nos obrigar a hesitar: e é essa reflexão
Que dá à aventura uma vida tão longa.
Pois quem suportaria o açoite e os insultos do mundo,
A afronta do opressor, o desdém do orgulhoso,
As pontadas do amor humilhado, as delongas da lei,
A prepotência do mando, e o achincalhe
Que o mérito paciente recebe dos inúteis,
Podendo, ele próprio, encontrar seu repouso
Com um simples punhal? Quem agüentaria fardo,
Gemendo e suando numa vida servil
Senão o porque o terror de alguma coisa após a morte -
O país não descoberto, de cujos confins
Jamais voltou nenhum viajante - nos confunde a vontade,
Nos faz preferir e suportar os males que já temos
A fugirmos pra outros que desconhecemos?
E assim a reflexão faz todos nós covardes.
E assim a reflexão faz todos nós covardes.
E assim o matiz natural decisão
Se transforma no doentio pálido do pensamento,
E empreitadas de vigor e coragem
Refletidas demais, saem de seu caminho,
Perdem o nome de ação. [...]”

RAZÃO

O pensamento humano não influencia apenas a sociedade como também a se mesmo. Dedicar-se ao estudo filosófico é o primeiro caminho a ser tomado para interagir e, até mesmo, alterar o real tornando-se melhor para todos. Dentro do campo filosófico, a razão é considerada como princípio-base para pesquisar, desvendar e compreender tudo o que há a sua volta entrando em confronto com as emoções (sentimentos) e ilusões (mitos e preconceitos, sendo eles religiosos ou não). No livro, "Convite à Filosofia", Marilena Chauí reforça essa idéia da seguinte forma:

" [...] razão é a capacidade intelectual para pensar e exprimir-se correta e claramente, para pensar e dizer as coisas tais como são. A razão é uma maneira de organizar a realidade pela qual esta se torna compreensível. É, também, a confiança de que podemos ordenar e organizar as coisas porque são organizáveis, ordenáveis, compreensíveis nelas mesmas, isto é, as próprias coisas são racionais."

Sendo assim, temos a razão - atrelada com a intuição - como principal ferramenta para o estudo e deslumbramento da realidade. Para muitos filósofos a razão não é apenas a capacidade moral e intelectual dos seres humanos, mas também uma propriedade ou qualidade primordial das próprias coisas, existindo na própria realidade. Seguindo o preceito de que necessitamos raciocinar constantemente, a razão surge como auxiliadora para nos ajudar a estruturar os nossos pensamentos organizando, então, o nosso caminho para o saber.